Epilepsia em gatos: sim, existe!

Nós, enquanto seres vivos, estamos suscetíveis a inúmeras doenças. Algumas conhecemos bem, outras já ouvimos falar e tem também aquelas que nem imaginamos que existam, principalmente quando se trata do mundo animal.

A epilepsia se encaixa no tipo que até sabemos existir, mas, por falta de contato direto, acabamos deixando o interesse por ela à sombra. Isso até o momento em que a epilepsia acomete alguém próximo.

Era uma tarde de uma semana qualquer e, enquanto eu trabalhava no meu computador, minhas filhas felinas dormiam tranquilamente. Até que uma delas, com mais ou menos dois anos e meio na época, começou a se debater no chão, bem ao meu lado. Inicialmente achei que ela estava se coçando, até perceber que ela se debatia no chão. Entrei em desespero, achei que ela tinha se engasgado com algo, peguei no colo, tentei ajudá-la, mas eu não sabia o que fazer…ela se debateu muito durante alguns minutos (não sei quantos, mas parecia uma eternidade), até que ficou ‘dura’ no meu colo, imóvel e estática.

Eu saí correndo gritando, desesperada, pela porta de casa com ela nos meus braços, batendo nos vizinhos, pedindo ajuda… até que um vizinho me atendeu. Nesse meio tempo, ela foi voltando a si, muito assustada, soltou um miadinho fraco e a pupila foi voltando ao normal;  eu a soltei no chão e ela, meio cambaleante, correu para comer e depois de escondeu.

A partir desse dia, após achar que minha filha felina tinha morrido nos meus braços para em seguida, minutos depois, poder revê-la ali, viva e bem, (além do alivio) entendi o real significado e intensidade da palavra amor. É impossível descrever em palavras o desespero e sentimento de impotência naquele momento. E doeu vê-la passar por isso outras vezes, até termos certeza do que nossa pequena tinha e de como tratá-la.

E vocês podem estar se questionando: mas existe epilepsia em gatos?

Pois é, também tivemos que buscar algumas respostas e orientações, afinal a epilepsia não é muito comum em gatos, principalmente entre os jovens.

Mas o que é epilepsia?

A epilepsia é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro que pode resultar em crises convulsivas e repetidas. Isso ocorre em função da atividade excessiva e/ou anormal das células cerebrais, ou seja, uma parte do cérebro emite sinais incorretos e ocorre um “curto circuito” nos neurônios.

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Causas

No caso de ocorrência de convulsão em animais, um veterinário irá investigar o paciente, através de exames como análise de sangue e de urina, radiografias e até encefalogramas, para tentar encontrar a causa, mas a origem da doença pode advir de diferentes motivos.

Epilepsia primária ou Idiopática: Idiopática, nome dado quando não se encontra a causa; normalmente tem caráter hereditário.

– Epilepsia secundária: resultante de processos intracranianos ativos como tumores, encefalites e meningites, parasitoses, traumas e outros.

Em gatos até um ano de idade, as causas estão geralmente associadas à má formação, a intoxicações, a traumas, a distúrbios metabólicos e a processos infecciosos. Entre os animais de 1 a 5 anos, associa-se a traumas, intoxicações, problemas infecciosos, neoplasias e, a causa mais comum, a epilepsia idiopática.

Nos velhinhos, associa-se à neoplasia intracraniana, a um processo inflamatório ou infeccioso e a distúrbios metabólicos. Dentre todas essas, a mais observada na clínica veterinária é a epilepsia idiopática, ou seja, aquela que não se sabe ou não se consegue identificar a causa.

Como detecar

Uma crise epilética dura em torno de 1 a 5 minutos e um gato com epilepsia pode apresentar alguns sintomas como convulsões, rigidez muscular, perda de equilíbrio, hiperatividade, dificuldade para comer e beber, dificuldade para caminhar, nervosismo, hipersalivação, micção e defecação espontânea.

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Outros sintomas merecem atenção porque podem anteceder uma crise de convulsão como a hiperventilação e espasmos/movimentos musculares involuntários.

Após a crise é comum os gatos miarem muito e irem correndo comer. Inclusive eles podem passar a evitar, por um tempo, os ambientes ou locais onde convulsionaram.

Tratamento

A epilepsia não tem cura mas pode ser controlada através de terapias adequadas.

Existem medicamentos de curta e longa duração que atuam impedindo que o “curto circuito” se dissemine e assim, que a crise ocorra. O medicamente deve ser administrado por um veterinário,  pois ele saberá avaliar qual é o mais indicado, assim como dosagem e frequência.

Nunca administre medicamentos por conta própria, assim como não mude a frequência ou dose do medicamento por conta própria, isso pode cortar o efeito do tratamento e pior ainda, colocar em risco a vida do seu gatinho.

Recursos da medicina alternativa (homeopatia, reiki, acupuntura etc.) podem complementar de forma satisfatória o tratamento.

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Importante também fazer exames periódicos para acompanhar e monitorar a doença (principalmente dependendo a causa), assim como os níveis do medicamento no organismo do animal.

Dica: anotar as datas, horários e durações das crises auxilia muito na avaliação do veterinário.

 

E como ajudar seu gatinho durante uma convulsão?

Bom, como mencionei inicialmente, meu desespero foi enorme, principalmente porque eu não sabia o que estava acontecendo. Ficou claro que eu fiz tudo errado em um primeiro momento, não é? Mas, com o tempo e com a orientação correta, fui conseguindo manter a calma e ajudar minha pequena quando ela convulsionava, tudo para que ela passasse por aquilo da melhor maneira possível.

E o que fazer?

Aqui vão algumas das orientações que recebi de profissionais da área médica para o caso da minha gata, mas é importante salientar que só o veterinário do seu animal poderá dizer com precisão o que fazer em um momento de crise.

– Inicialmente é importante manter o silêncio e reduzir a luz, pois os sentidos dos gatinhos ficam bem aguçados e isso os assusta ainda mais.

– É importante não pegá-lo no colo, mas fazer o possível para acomodá-lo em algum lugar confortável, atentando-se para afastar todos os objetos que possam vir a machucá-lo.

– O cuidado para que ele não bata a cabeça ou caia de lugares altos é essencial.

– Durante a crise, o gato pode perder temporariamente a consciência, resultando no não-reconhecimento do dono e de pessoas familiares. Por isso, mesmo que ele se esconda após a crise, é interessante que o dono do gatinho fale com ele, em tom suave e baixo, para que o pequeno, ao  reconhecê-lo, vá se tranquilizando mais rapidamente.

E como está a nossa Luna11046242_986852781378306_8632638100922019523_n

Após cerca de 5 episódios de convulsão, ela foi avaliada e diagnosticada como epilética de causa idiopática (não encontramos a causa). Foi medicada, monitorada por um veterinário para tentarmos retirar o medicamento, mas, como não respondeu adequadamente, retomamos o uso e seguimos até hoje. Ela toma o medicamento diariamente há mais ou menos dois anos e faz acompanhamento através de exames e consulta com um veterinário neurologista periodicamente.

Desde então, ela nunca mais convulsionou.

Hoje, com 4 anos, nossa primogênita continua saudável, brincalhona, carinhosa, ativa, esperta, faz uma massagem através do ‘amassadinho’ sem igual e é uma caçadora excepcional. É o grude do pai, mas falante como a mãe.

Ela é linda, o amor das nossas vidas e dona de um sorriso APAIXONANTE.

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Não acham?

  ❤  ❤

Fonte: http://epilepsia.org.br/o-que-e-epilepsia/
https://www.peritoanimal.com.br/epilepsia-em-gatos-sintomas-tratamento-e-cuidados-21287.html
http://animais.culturamix.com/doencas/epilepsia-em-caes-e-gatos
https://www.estimacao.com.br/epilepsia-em-caes-gatos-o-que-fazer/

Fotos: Arquivo pessoal
http://animais.culturamix.com/doencas/epilepsia-em-caes-e-gatos
http://blog.bichomaps.com.br/epilepsia-em-gatos-como-lidar/
http://www.ultracurioso.com.br/12-evidencias-de-que-voce-nasceu-pra-ficar-deitado/
http://www.osmais.com/?ver=MTQyODQ=

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9 comentários sobre “Epilepsia em gatos: sim, existe!

  1. Rebeca disse:

    Olá, que linda a Luna. Amo esse nome porque foi da minha primeira gatinha.
    Estou escrevendo porque exatamente esta semana minha outra, chamada Mia de 3 anos também simplesmente começou a convulsionar. Levamos ao veterinário, fizemos todos os exames possíveis mas pelo que tudo indica é epilepsia de causa idiopática igual a sua. Hoje iniciamos as doses em casa. Continuará manhosa e amada por aqui. Passamos por um baita susto e agora estou mais calma também. Eles são membros da família e o amor é incondicional!
    Beijos e lambeijos

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  2. Natália disse:

    Muito obrigada pelo post, me acalmou um pouco. Minha Anita acabou de ter uma crise de epilepsia em casa, e após levar no veterinário, corri pra internet pra ler tudo sobre…já que, como você, ficamos sem reação. Vamos procurar um vet neuro o mais rápido possível. Obrigada mesmo, de coração. É bom saber que, com a medicação correta, eles podem viver uma vida normal.

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    • Thaiane Viecili disse:

      Que bom que o post te acalmou Natália, sei bem como é angustiante passar por isso. Mas tenho certeza que a sua Anita, assim como a minha Luna, com o seu amor e cuidado, o acompanhamento correto de um especialista e a medicação necessária, ela viverá muitos e muitos anos. Grande beijo!

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  3. Juliana disse:

    Olá Thaiane, nosso quindizinho amarelo o Petisco tb foi diagnosticado com epilepsia idiopatica, ele esta tomando o Gardenal e um homeopático duas vezes ao dia e as crises não pararam, as vezes tem intervalos maiores as vezes menores mas nunca passou mais de 15 dias sem um ataque, estamos preocupados porque o medicamento não está sendo eficiente .

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    • Thaiane Viecili disse:

      Oii Juliana, tudo bem?? Poxa, que pena. Mas volta a conversar com o Veterinário ou busca outro que entenda melhor o caso. Nós encontramos um Veterinário Neurologista aqui incrível que nos ajudou muito a entender todo esse processo e que faz o preventivo anual da Luna (sim, monitoramos o medicamento no organismo dela). A Luna também toma Gardenal e demoramos um pouquinho para acertar a dosagem do medicamento e acabar com as convulsões (tentamos até tirar mas não deu), quem sabe seja a dosagem ou a frequência (tempo entre a administração de uma dose e outra)? Conversa com o Veterinário, tenho certeza que ele vai poder te ajudar quanto a isso 🙂 Espero que o Petisco fique bem!

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  4. Solange disse:

    Olá! Meu gato Jubileu também tem convulsões..mas até o momento não estão controladas, apesar da medicação…o que tem me preocupado imensamente. Qual medicamento o veterinário prescreveu para sua gata e qual a dosagem? Agradeço muito sua atenção! Muita saúde para a sua Luna ❤

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    • Thaiane Viecili disse:

      Olá Solange, tudo bem? Obrigada, nossa Luna agradece o carinho 🙂 Bom, acredito que cada caso é um caso sabe?! Talvez o teu Jubileu, assim como nossa Luna, precise encontrar a dosagem adequada para o caso dele. No começo o Vet orientou darmos 1/3 do medicamento (Gardenal – sim, o de humanos), depois 1/4 e depois de um tempo tentamos tirar. Ela teve crises 😦 e tivemos que voltar a dar. Começamos com 1/4 uma vez ao dia e deu certo (levou um tempinho até estabilizar)!! Mas o nosso Vet nos explicou que muitos animais precisam de 2 dosagens ao dia e ficou surpreso como a Luna se adaptou a apenas uma. Orientou deixarmos assim e que infelizmente, ela tomaria para o resto da vida. Então, precisas conversar com um um Vet Neurologista (se onde vc mora tiver) que ele te explica como funciona tudo isso e pode te ajudar a encontrar o melhor medicamento e dosagem para o teu pequeno. Espero que teu Jubileu fique bem ❤

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  5. Solange disse:

    Muito obrigada, Thaiane! O Jubileu toma o Fenobarbital duas vezes ao dia, 11 gotinhas. Pelo que entendi, a Luna toma em comprimido né? Você sabe me dizer de quantas miligramas? O remédio em gotas só tem de 40 mg..então talvez por isso nao esteja sendo suficiente. Que bênção ela se adaptar com uma única dosagem ao dia..facilita tanto a vida! Por aqui é uma maratona para conseguirmos dar a medicação no horário certinho..e quando viajamos então..um caos..felizmente minha família ama o Jubi tb e todos colaboram 😊. Vou conversar com a vet dele a respeito de uma dosagem maior..aqui na minha cidade não encontrei um neuro, infelizmente. Parabéns pela inciativa de compartilhar a história da Luna, me deu esperanças de controlar as convulsões e vivermos mais tranquilos, pois cada convulsão é um drama 😢😢😢. Abraços!

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    • Thaiane Viecili disse:

      Imagina 🙂 eu entendo como tudo isso é pesado e triste mesmo…mas acredita e vai atrás que logo as coisas se ajustam. A Luna toma o comprimido sim, Gardenal 500 mg (mas 1/4 e uma vez ao dia). No início foi difícil administrar e ela colocava fora, ainda temos que ser assertivos quando damos e nos certificar que ela engoliu pq a bichinha é ligeira hahahaha depois damos uns petiscos e tudo certo. Ela já sabe até a hora, corre e fica sentadinha na lugar que damos por causa do petisco, não do remédio…óbvio hehe. Somos críticos quanto ao horário, afinal ela toma só uma vez ao dia. Escolhemos dar a noite pq sabemos que estaremos em casa (meu marido ou eu). Claro que, mas vez ou outra acontece de atrasarmos ou adiantarmos, mas cuidamos. Quando viajamos temos “catsitter” que vem para cuidá-las (tenho a Luna e mais duas) e dar o remédio dela no horário. Mas faz isso mesmo Solange, conversa com o Vet e se achar que não conseguiu ajustar com esse profissional, procura outro e outro…até encontrar um que consiga ajudá-los. Ficarei na torcida e tenho certeza que vocês conseguirão controlar. Que bom que a história da Luna pode trazer alguma “luz” e certa tranquilidade a outras mamães de gatos que passam por essa doença. Depois volta para me contar do Petisco!! Beijinho :*

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